Tóquio foi um terramoto (literalmente)

Fizemos uma longa viagem de autocarro durante a noite até Tóquio. Chegámos bem cedo, a estação estava praticamente deserta, estávamos todos rotos e cheios de fome mas as borboletas na barriga teimavam em não desaparecer. “Finalmente”, pensámos. A cidade elétrica que tantas vezes pairou sobre o nosso imaginário estava à nossa frente.

Ao contrário de todos os outros Airbnb, onde nos tornámos uns verdadeiros profissionais no “joguinho” de descobrir a chave na caixa de correio, nesta nova casa a dona queria receber-nos pessoalmente. Apanhámos o metro e ficámos à espera na estação combinada. E esperámos, esperámos, esperámos… Olhávamos para as centenas de raparigas que passavam por nós na esperança de que alguma correspondesse àquilo que tínhamos visto nas fotografias. ”Fomos enganados, só pode. E agora vamos dormir onde?”, perguntava o Gui, com um ar já ligeiramente desesperado.

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Até que finalmente apareceu. Via-se que estava preocupada por nos ter feito esperar. Acompanhou-nos até casa e foi então que tivemos a melhor receção de sempre (sim, em Tóquio, a cidade onde as pessoas andam a mil e onde pensávamos que íamos ser completamente “ignorados”). A Taeko, uma senhora com os seus 60 e tal anos, recebeu-nos com um sonante e festivo “Welcome” (imaginem isto com pronúncia japonesa). Ao colo, trazia o neto recém-nascido e, quando viu o Gui, ficou maravilhada e só pedia para tirarmos “photo, photo, photo!”. Instalados na nossa nova casa, e depois de repormos energias com os famosos Kit Kat de chá verde que tão amavelmente nos deixaram, reunimos todas as nossas forças e fomos dar uma primeira volta pela cidade.

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Tóquio foi o sítio onde ficámos mais dias e, mesmo assim, estamos longe de poder dizer que conhecemos a cidade como a palma da nossa mão. Aliás, acho que ninguém que esteja a fazer a sua primeira viagem ao Japão o poderá dizer. A cidade tem uma dimensão gigantesca, bastante diferente daquilo que um português, habituado ao seu “cantinho à beira mar plantado”, pode imaginar.

No nosso caso, tivemos oportunidade de percorrer a cidade por zonas, ficando mais ou menos tempo naquelas que nos interessavam. Mas Tóquio não é, definitivamente, uma cidade para ver e viver numa viagem só. Os dias iam passando e cada vez mais ficávamos com a sensação de que este é um sítio onde vamos ter mesmo de regressar. O Gui até já arranjou a desculpa perfeita: Jogos Olímpicos de 2020.

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Para além de todos os sítios incríveis que conhecemos, Tóquio ainda nos brindou com uma boa história para contar no regresso a casa. Atravessar a passadeira em Shibuya foi um momento para não esquecer (depois do choque inicial de estar num sítio tão emblemático e tão monumental, admito que atravessámos aquele cruzamento mais do que uma vez), mas o melhor aconteceu mesmo no sítio mais improvável:  Sensō-ji.

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Sabem aquela lista cliché de x coisas a fazer antes de morrer? Por incrível que pareça, o Gui decidiu que uma das coisas que não poderia perder era “sentir um terramoto” e, sendo o Japão um sítio propício a esse tipo de fenómeno, andou todos os dias da viagem a dizer “ainda vamos sentir um” e eu, que nem sou muito supersticiosa, revirava os olhos e batia no pedaço de madeira mais próximo.

Já tinha anoitecido quando decidimos voltar ao templo para tirar mais fotografias e filmar com mais calma. Para além de nós, estava mais um ou outro grupo de turistas. Tudo calmo e silencioso até que, repentinamente, sentimos o chão tremer. Os sinais de trânsito abanavam e os ornamentos do templo também. Foram milésimos de segundos que pareceram passar em câmara lenta. Acho que ficámos tão parvos que, por momentos, pensámos que só podia ser a nossa imaginação a gozar connosco. Mas depois olhámos para os olhares atarantados dos outros turistas e percebemos que afinal tinha mesmo acontecido. Sentir um terramoto? Check!

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Como seria de esperar, não conseguimos mostrar-vos todas as fotografias num único post, por isso, podem contar com um novo já na próxima semana. Entretanto, podem sempre rever o nosso vídeo do Japão!

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