Cuba, 3 semanas no país que ainda vive das memórias de uma revolução

Quando disse que queria ir a Cuba, o Gui torceu o nariz. Com tanto mundo para conhecer, acho que estranhou o facto de eu ter como prioridade um país que, geralmente, é bom para quem procura uns dias de papo para o ar num resort de pulseirinha com tudo incluído e com uma praia paradisíaca à frente. Na verdade, nada contra as praias, porque também eu queria pôr os pés na areia branca e mergulhar na água cristalina, mas o que verdadeiramente me encantava era a cultura de um país que já passou por tanto.

Depois de uma revolução histórica, para deixar para trás uma ditadura violenta, esta foi uma nação que sentiu na pele o colapso da URSS, um embargo que parece não ter fim à vista provocado pelo país vizinho, o chamado “dono do mundo”, e o consequente falhanço e a decadência dos ideais revolucionários que ainda hoje fazem com que este povo tenha de batalhar todos os dias para (sobre)viver. Basicamente, um país isolado do resto do mundo e parado no tempo por todas estas circunstâncias e mais algumas.

Por isso, nos últimos anos, sempre que ouvia a palavra “Cuba” soava na minha cabeça uma espécie de relógio como que a avisar-me que tinha de ir lá o mais rapidamente possível se ainda queria testemunhar este lado que tanto caracteriza este lugar (e não me interpretem mal, todos sabemos que Cuba precisa de uma mudança).

O Gui ainda não sabia, mas ia ser tão ou mais surpreendido do que eu no final desta viagem porque, para além de toda a beleza natural, o melhor está mesmo nas pessoas que escreveram e que ainda hoje continuam a escrever a história deste país.
Dos velhos aos mais novos, dos mais conservadores aos mais liberais, dos fidelistas aos que já não acreditam no regime, não há ninguém em Cuba que não goste de conversar. Talvez pelo facto de estarem tão isolados, quando percebiam que éramos portugueses e que os percebíamos bem, falar era uma lufada de ar fresco. Para ambos.

E os cubanos são mestres na arte de bem receber. Como ficámos sempre em casa de locais, muitas vezes já nos sentíamos parte da mobília e a hora da despedida era sempre difícil e com muitas promessas de voltar num futuro próximo para matar saudades.

Esperemos que gostem dos próximos posts e que fiquem tão entusiasmados com a ideia de visitar este país como nós quando recordamos os dias incríveis que aqui passámos.

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