Viñales e Cayo Jutías, vida no campo e um mergulho no paraíso

Chegámos à estação da Via Azul em Havana para apanhar o autocarro para Viñales. Ainda tentámos saber onde ficavam os camiões que levam os locais (viagem paga em pesos cubanos e que para nós seria uma ninharia), mas as nossas mochilas e equipamento fotográfico desmascararam-nos facilmente, por isso, fomos obrigados a ir na “camioneta do turista” (e paga em CUC, moeda equivalente ao dólar).

A viagem foi tranquila, como seria de esperar, com muitos cartazes na berma da estrada a recordar Fidel e os seus ideais, e eu fazia figas para que este sítio não fosse a desilusão sobre a qual já tinha lido na Internet. “Muito turístico”, foi o que mais li. À nossa espera estaria a Nisleidy, conhecida do nosso amigo Tiago (um apaixonado por Cuba e a quem muito temos de agradecer pelas fantásticas dicas) e que nos levaria a casa da prima, uma vez que a sua já estava ocupada com outros hóspedes. Encontrar esta casa foi uma espécie de caça ao tesouro, mas depois de tocar a muitas campainhas lá conseguimos.

_MG_5119

_MG_5118

Batemos à porta, nada. Voltámos a bater, nada. Pensámos outra vez: agora sim, fomos enganados. Passou-se quase uma hora. Sentados no alpendre, prestes a desistir, vemos duas mulheres ao longe a vir na nossa direção. A mais nova, pele morena e cabelo loiro, vem numa bicicleta. Pede-nos mil desculpas pela demora e chama-nos um táxi para nos levar a sua casa. Esta é a Nardelys, a pessoa que tomou conta de nós nos dias que se seguiram, apesar de ser bastante mais nova e de já ter um filho de um ano e pouco nos braços. “Aqui em Cuba é normal. Há meninas que engravidam aos 14, 16 anos”, confidencia-me, depois de ter ganho a sua confiança.

Na mesma casa vive a mãe e o padrasto e na casa ao lado o irmão, com a mulher e a filha. Foi ele o responsável pelo nosso passeio por Viñales e pela visita a uma plantação de tabaco. O calor era insuportável e qualquer um podia facilmente perceber que esta foi a minha estreia em cima de um cavalo, graças à minha falta de jeito para o conduzir, mas a paisagem durante todo o percurso compensou todos os esforços para não cair e levar um coice do Caramelo.

Na plantação somos convidados a experimentar um charuto. “Primeiro cortas e depois molhas no mel. Era assim que o Che fazia”, diz-nos o responsável, depois de nos explicar todo o processo, as diferentes folhas, as várias qualidades. Aqui, como na grande maioria das plantações, cerca de 90% da produção vai para o Estado. No final do dia, ainda tivemos oportunidade de jantar na Finca Agroecológica El Paraiso, onde fomos contemplados com um enorme banquete de comida cubana, que partilhámos com um casal de holandeses que vivia em Malta e que nos deu a maior força para avançar com este projeto.

_MG_5110

DCIM101GOPRO

_MG_5090

O dia seguinte estava reservado para o Cayo Jutías, um pequeno paraíso, ainda virgem e protegido das grandes construções e dos resorts. A viagem foi dura, aliás muito dura, uma vez que o nosso meio de transporte era uma carripana a cair de podre e o caminho, que em Portugal seria feito em poucos quilómetros, fez-se numa estrada de terra batida e cheia de buracos. Mais uma vez, todas as adversidades compensaram e acho que as fotografias falam por si.

_MG_5198

_MG_5200

_MG_5179

_MG_5125

_MG_5152

De volta a Viñales, onde já estávamos mais do que ambientados à vida no campo e a tudo o que esta implica (incluindo pisar bosta em todo o lado e um cheiro a estrume descomunal), optámos por jantar em casa para as despedidas. Ficámos surpreendidos quando só vimos dois pratos na mesa porque a ideia era jantarmos todos juntos e quando lhes explicámos a nossa ideia ficaram a olhar para nós como se fôssemos extraterrestres. Com algumas reservas, lá aceitaram o nosso “convite” para jantar na sua própria mesa (vejam lá a ironia desta vida) e foi um serão verdadeiramente memorável. Afinal, Viñales não tem nada de turístico como tinha lido anteriormente, aliás até pode ter, mas o azar destas pessoas foi, na verdade, não terem tido o prazer de conhecer esta família.

_MG_5226

_1400799

_MG_5189

Casa Cordero

Contactos: 54610870 / 48684158 / nardelys.romero@nauta.com.cu

Ps. Já viste o nosso vídeo de Cuba?

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s