Santa Clara, a cidade que respira “Che”

Santa Clara respira Che Guevara. Foi depois da conquista do Tren Blindado, em 1958, que o médico argentino, braço direito de Fidel Castro na revolução, libertou a cidade do regime ditatorial de Fulgencio Batista. O comboio, que agora é uma espécie de mini museu, pode ser visitado, assim como a praça dedicada ao Comandante e também o Mausoléu onde se encontram os seus restos mortais e objetos pessoais. A revolução também ainda é visível nas ruas como, por exemplo, os buracos das balas na fachada do hotel Santa Clara Libre.

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Apesar da história que carrega, Santa Clara pareceu-nos ser também um lugar onde já se vê alguma mudança e muito por causa dos estudantes universitários nas ruas e dos grupos de jovens à porta de bares e discotecas. Até o sítio onde ficámos tinha já uma aparência semelhante a um hostel, com muitas pessoas da nossa idade a trabalhar e sempre a entrar e a sair.

O que mais gostámos por estes lados foi poder sentar-nos na esplanada de uma praça, a beber um mojito ao final da tarde e a ver tudo o que se passava à nossa volta. À noite, depois do jantar, mais um mojito acompanhado pelos músicos a tocar salsa e pessoas a dançar sem qualquer vergonha.

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Depois dos primeiros dias isolados do mundo, tivemos a nossa primeira experiência com a Internet cubana. Sim, é toda uma “experiência” quando somos ocidentais habituados a ter dados 24 horas por dia ou sinal Wi-Fi em praticamente todos os locais públicos. Basicamente, têm de se dirigir a uma loja e comprar um cartão com a duração de uma hora (ou então podem comprar diretamente na rua a um cubano mas têm por hábito subir o preço para ganhar algum). Depois, vão para a praça mais próxima – normalmente a que tem mais cubanos colados nos telemóveis significa é aquela que tem melhor sinal.

Liguem-se à Internet com os dados que vêm no cartão e divirtam-se (mas só durante uma hora). Ou então façam como nós tentámos fazer: usem esse tempo precioso com moderação, avisem a vossa família que está tudo bem, podem pôr uma ou outra fotografia no Instagram para matar o vício das redes sociais e depois desliguem. Há muito para ver em Cuba, estar isolado do mundo nunca nos soube tão bem, acreditem. Não há melhor detox digital do que este ahah.

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E é precisamente por não terem Internet que conhecem pessoas incríveis quando menos estão à espera. Isso aconteceu-nos quando estávamos a almoçar num restaurante e o velhote da mesa ao lado, que já estava farto de nos tirar as medidas, ganhou coragem para meter conversa connosco. Quis saber tudo sobre nós, de onde éramos, o que fazíamos em Portugal, deu-nos conselhos para uma vida. E, claro, depois contou-nos tudo sobre ele. Ao seu lado estava o amigo, um antigo prodígio do basebol, que chegou a ter convites para jogar nos EUA mas que nunca conseguiu lá chegar.

Pedimos para tirar uma fotografia para recordar mais tarde, acederam ao pedido com um orgulho desmedido. A nós pediram-nos o número de telefone e prometeram que iam ligar-nos para Portugal assim que pudessem para saber novidades nossas.
Às vezes, não precisam de visitar todos os pontos turísticos marcados no mapa para conhecer um lugar – basta uma conversa sincera, sem dar pelas horas a passar, com dois velhotes cheios de histórias para contar.

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Hostal La Unión

Morada: Julio Jover 6 e/ Luis Estévez y Máximo Gomez
Contactos: (53) 52755579 / (53) 42209949 / judith67@nauta.cu

Ps. Já viste o nosso vídeo de Cuba?

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